Vive la France, Duchamp, l’anarchie

pt
Glass Tears, 1932. Man Ray

Pê-pê, Ô-ô, Lê-lê, I-i, ay, ay, ay, ay!
Pê-pê, Ô-ô, Lê-lê, I-i, ay, ay, ay, ay!
Ããã ãã ã náááá! Ããã ãã ã náááá!

Pê-pê, Ô-ô, Lê-lê, I-i, ay, ay, ay, ay!
Pê-pê, Ô-ô, Lê-lê, I-i, ay, ay, ay, ay!
Ããã ãã ã náááá! Ããã ãã ã náááá!

Muitas Anas, Muitas Anas eu como
Muitas Anas! Imagina eu como
Muitas Anas! Pô-li-li! Ay ay ay ay
Aitolá Ai aitolá, Ay! Minha fonte
Ê-ê-ê-ê iatolá, aitolê, batorê, me conte!

Pê-pê, Ô-ô, Lê-lê, I-i, Ã-ã, Enê-enê, Á-á
Muitas Anas, Muitas Anas! 
Você é minha
Noiva despida
Pelos seus 
Celibatários

Ô-ô, ô-ô! Vive la France
Dans l’esprit de la danse une chance! Vive la France antarctique!
E nesses brasis - um paris tropical - Henri salvador de Martinique!

Uns brancos de alma negra... des masques cubistes, africaines, decor...
Uns pretos no branco e uns brancos no preto - americanamente bicor
Uns barrocos, baianos do sul, com tudo sutil e sensual:
De terno de linho, chapéu de palhinha - belos como Dorival

E nesses Brasis - um Paris tropical
E nesses Brasis - um Paris tropical

Alavantú, nossa gangue, a quadrilha do sangue danse lá en arrière
Que sonhamos, nos campos, Duchamp, Picasso e Rimbaudelaire
Da Vinci, dá Dois, Marcelo D2

Canibales tropicales en parade autour de la tour Eiffel
Dans mon ile - tabaco de cuba pour messieur le colonel

Domingos, Sivuca, Gonzaga no acordeón, nossos clochards
Bel, Caetano, Ednardo, no dado jogado, no nosso Ceará, isso não é de brilhar.

Brilhe o belga Jacques Brel, já que bel nisso não é de brilhar.
E nesses Brasis - um paris tropical! tous les voix de l’afrique!
Dans l’esprit de la danse une chance! Vive la France antarctique!

Muitas Anas, minha moça, minha fonte, mulher ready made! Passando de virgem à noiva. De noiva à virgem num piscar de bicicleta! Rápido como uma roda de bicicleta

E um chiclete, feito por Da Vinci, nu, descendo as escadas e cantando essa canção!

Um poeta, um porta-garrafas que guarda a viúva fresca, fresca de tudo, virgem quase de tudo

Mude, Nude, inunde-me, Study! Estude! You understand me? Com Ruído, secreto, Jasmins se vão, ao sol glorioso, cuidado com esse mistério! Não tente me inventar! Não tente descobrir, quiçá tentar!

Female fig leaf, Alright! Gatinha passando, ready, ready, ready, oh my dog! To be! Or not to be looked at (From the other side, in catwalk, of the dark glass) Sunshine coast! Oh, really!?

Orei ao cavalo, subi na rainha, desci pelo vidro, olhei pelas escadas e vi uma bela peça de Xadrez! Era o Deus mais que importante que Deus 
Que deu a vida pelos seus
Cuja vida é mais importante que a morte dos seus...

Fê-pê, Lê-pê, O-pô, Rê-pê,
Aflor do mar, o céu: Rose Selavy.
Lê-pê, A-pá, Ga-pá, O-pô, O-pô, Quê-pê:
A Giocondadá, flor do campo

Ay, ay, Belchior! Viva Belchior!

Cê-pê, A-pá, Nê-pê, Tê-pê, A-pá, Rê-pê
Cantar, cante um cântico, cante e cante
Kant: o que vida convém? E vem! E vem!

Ay, dama, mulher de pouca honra, de peitos despidos, cuspidos aos elefantes, entregues aos falantes: homens deste país. Dama de meu fliperama, de quando era moleque, mulher-objeto de festa, de Gesta de um trovador eletrônico! Mulher-urubu, que o dinheiro compra, e, de manhã, aparece para comer o restante, o que sobrou. E kitch elegante, que te mente elegantemente! Abre alas, já diziam... Sabem quem é essa mulher a que me refiro? Eu. Eu ébrio. Eu sóbrio. Eu de todo o jeito. Eu despido. Eu nu. Eu poema. Tudo isso pro meu bel-prazer. Só pro meu prazer…

Poema dadaísta: Anarquia lírica. Sem sentido mesmo.

Inspirado em pintores e poetas dadaístas franceses e norteamericanos. Além, é claro, de Belchior. Imagem: Glass Tears, 1932. Man Ray.

Gabriel Albuquerque

Medium ↗

You're visiting from

System
👀