Amor de mãe freudiano

No final, só queremos uma coisa…
Eu não quero mais dormir com você
Nem preciso de paixão mesmo...
Eu não quero um caso barulhento pra viver
Que atormente meu quebradiço coração a esmo
Para, no final, quando quebrar-me
Sentir que minha vida não tem sentido
E não está indo a lugar nenhum...
Mesmo depois de tanto ter caminhado
Tudo que eu quero é conforto e cuidado
Um carinho, sabe? Um cantinho comum
Onde um ser humano paga pelo pecado
Tudo que eu quero de você
Tu não podes mais me dar
Tudo que eu quero pra você
Ei-lo a diante: suma pra já!
Tudo que eu quero
Tudo o que eu mais quero
É um doce, é um doce
Um doce amor de mãe
Tudo que eu quero é um amor de mãe
Podes me dar? Não, não podes. Tudo que eu quero é um amor de mãe, ó mãezinha, ó mãe!
Tenho andando muito só
Por aí, a vagar, feito Belchior
Em que minha vida ecoa numa nota só:
Dó.
Tenho andando muito solitário...
Como a nota dó
No samba de uma nota só
Estou cansado do mesmo jogo
Do coração ultrarrevolucionário
Que não é páreo para tal fogo
Efêmero: já dizia minha mãe
Tudo é vario! Tudo é vário!
Coisa muito complicada...
Mas noite é vida e vida é jogo e jogo é sorte
E a sorte é vária! Coisa muito complicada...
E eles, é, pois é, eles dizem que sou um homem forte
Do mundo, do jogo, do álcool: o verdadeiro ébrio!
Um bêbado de mente fértil!
Meu coração está tão pesado...
Que já não posso mais suportar
E minha esperança se foi
A lotar o passado de dez mil...
Lembranças do "Oi"
de minha mãe, de minha mãe
"Oi, que saudade, filho meu
Você não me procura mais
Será que me esqueceu?
Tanto faz se somos seus pais?"
E agora, e agora
Minas não há mais
Fora da cidade
Fora de casa
Daquela casinha quente no frio e gelada no calor
E agora? E agora, o que faço, José? E agora?
Estou fora da cidade
Fora da casa
No lado frio do mundo
Onde o frio é mais frio (frio pra valer!)
Eu não quero pena, senão um lugar frio pra me esconder
Apenas um lugar frio pra me esconder...
Mamãe...
Mãezinha, deixe-me ir
Deixe-me voltar, por favor
Mãe, deixe-me voltar pra dentro
Mamãe, por favor
(Leia isso com voz de choro)
Mamãe, por favor
Mamãe, por favor, deixe-me voltar para dentro de ti
Tudo que eu quero é a senhora, és tu, mãe
Tudo que eu quero é voltar pro teu ventre
Entre, deixe-me entrar!
Eu te amo. Eu me arruinei. Choro, agora, portanto, sobre o pó do escombro em que me construí e me derrubei. Choro, como a dor do arrependimento, como uma dor sem volta: a certeza da morte, eu vou morrer! Tudo que eu queria, tudo o que eu queria
Era voltar, era voltar
Pro amor
Pros teus braços
Pro amor de mãe
Amor de mãe...
Amor de mãe.
Mãe, eu te amo.
Dê-me um instante, preciso morrer.
Por agora, isso é tudo.
Mais tarde eu volto, pra dentro.
Amor de mãe.
Inspirado em dois livros de Freud: "Luto e melancolia"; "O Homem dos Lobos"
E também na última música lançada pela banda Queen sob a iminência de morte do vocalista Freddie: Mother Love [https://youtu.be/HJFYtyEIJ60]
se você leu até aqui, vale a pena ouvir, é sério!