Ululante Beatriz II — Elegia de Vida Nova

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Dante Gabriel Rossetti, “Dantis Amor” (1860) — Mais detalhes sobre essa obra maravilhosa clicando aqui
Adoramus Te, Christe

Parte I —

Ululante Beatriz
Se da dádiva do céu risonho e límpido,
Não posso, ávida, quiçá nele tocar,
Qual o brilho do teu virgem rosto vívido
Também mão minha não…

ocoiel.medium.com

Parte II —

Se como Dante no Inferno escuro me perdera
E Tu surgiste qual Beatriz que me venera,
Guias-me pelos círculos do Teu corpo santo
Onde cada pecado se torna doce canto.

Se Teus olhos são estrelas do Empíreo divino
Que iluminam o caminho do meu destino,
Sigo-Te pelas esferas da Tua formosura
Como peregrino em busca da luz mais pura.

Se do Inferno das paixões me liberta Tua face,
Como quem das trevas à claridade renasce,
Subo contigo pelos terraços do Purgatório
Onde cada beijo Teu é rito expiatório.

Se Teus cabelos negros são o Lete sagrado
Onde mergulho para ser purificado,
Bebo dessa água que o passado dissolve
E em “nova vida” minha alma se revolve.

Se Teu seio alvo é montanha do Paraíso
Onde repousa a graça do Teu sorriso,
Escalo essa altura com fervor de monge
Para tocar o céu que em Ti se alonga.

Se Tua voz entoa como coro angélico,
Os versículos do amor evangélico,
Uno minha prece à Tua melodia santa
E juntos elevamos nossa litania que encanta.

Se de Tuas mãos fluem rios do Éden primeiro
Que irrigam o jardim do meu amor verdadeiro,
Bebo dessa fonte como quem comunga a vida
E em Teu toque encontro a graça prometida.

Se Teu ventre é rosa mística desabrochada
No centro da visão beatificada,
Contemplo nele o mistério da criação (Bendito seja Deus!
E adoro a forma da divina concepção.

Se em teu jardim secreto florescem virtudes 
Que alimentam as almas com doces beatitudes
Colho de teus frutos o sabor do Paraíso (e que paraíso!)
E provo da eternidade no Teu sorriso (e que sorriso!).

Se Tua língua pronuncia as palavras do Verbo,
Que transformam o mortal em ser acerbo,
Escuto Tua voz como quem ouve os anjos,
E em cada som encontro celestiais arranjos.

Se de Teu corpo emana a luz incriada,
Que no último círculo se faz amada,
Uno-me a Ti na senda dos bem-aventurados
Onde os amantes são por Deus abençoados. (Louvado seja Deus!)

Se como Dante tive Beatriz por guia
Através dos mistérios da alta poesia,
Que nossa união seja a visão suprema
Onde Amor e Conhecimento são um só tema.

Se no final da jornada pela Comédia Divina
Encontro em Ti a face que me ilumina,
Somos dois peregrinos no mesmo caminho
Rumo ao amor que nos faz menos sozinhos.

Se quando as Trombetas do Juízo soarem 
E os mortos de seus túmulos se levantarem, 
Que nosso amor seja O Livro aberto 
Onde Deus leu Teu nome descoberto.

E no fim dos tempos quando Cristo voltar 
Nossos corpos ressuscitados hão de se amar! 
Que esta carne mortal seja prefiguração 
Da nossa eterna e bendita consumação!

Tudo isso pra conciliar essa de ser teu maior fã!

Gabriel Albuquerque

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