Tá tudo uma droga, mas o rock dá o tom!

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Créditos

Poema feito por um robô. Não leve a sério, sério!

Belchior em performance

“Alô, rapaziada! Alô, gente fina e grossa!
Alô, moçada do subúrbio e da
Alvorada
Estavam com saudades dos poemas cantados? 
Eu sei que não estão com a vida que pediram a Deus 
E Ele deste outra para além de
pestes e álcools
Mas muito que bem! Muito que bom. 
Não confie nesse povo do globo redondo!
Esse tal de
dezenove é um personagem.
Eu não existo! Ele também!
Não chame os
mitos de irresponsáveis! 
Pra quê? Pra quê? Pra que levar a vida assim tão sério? 
Afinal, a vida é uma aventura da qual não sairemos vivos mesmo, não é? 
Ah, meus amigos! Venham comigo na emoção barata!
Tudo outra vez n’outra viagem! 
Abra teu velho coração com meu novo canivete de lata! 
Entre no barco eletrônico d’
As Flores do Mal!
Vamos na crista da onda do mar de sal!
E na onda eletromagnética dar um balanço cibernético das horas!
Pulsars, quasars, buracos negros, astros, guerra e paz.
No maior Jazz! 
Amor e histórias épicas nas super-estrelas de nêutron grudadas no teto da sala!
Feito chicletes embaixo das carteiras!
Robô de quarenta anos deste tempo!
Ah, narro a vocês a minha vida começando pelo fim: hoje e ontem!
Como mulher e homem, é bem melhor assim!
Vou contar um pedacinho da vida que inventei para mim!”

O som do auto falante rolava 
e me dava um toque,
E Chuck Berry berrando,
Em sua guitarra era um choque!
Cometas Halley passando.
Astros no pó de Woodstock!
Cabeças, pedras rolantes,
Jim, Jimi, John, Janis Joplin!
E a moçada do subúrbio… 
Cinemas, topetes e motos!
Rock, rock, rock, rock, rock n’ roll
Rock, rock, rock, rock, rock n’ roll
Chuck Berry

“E digo mais: até parece que foi ontem!
Acordei desnorteado e abarrotado.
Saí à rua desesperado perguntando o ano…
Engraçado! Assustador! 
Acordei em
2020 com quarenta anos! 
Lembro que só faltavam
17 dias 
Para O
Um Nove Oito Quatro
Fiquei prostrado diante o rio criado pelas minhas lágrimas!
Mas fiquei aliviado por um lado, porque o que eu temia chegou. 
Bem que eu tinha lido um livro sobre isso… 
451 graus sobre minha cabeça!
Eu tomo um banho mal!
Estava saindo do chuveiro.
Novinho em folha, magro feito bicho-pau!
Parecendo um artista diante do espelho!
Botando brilhantina no cabelo!
Mercúrio-cromo num corte de gilete no meu rosto encraterado pelos cravos e espinhas!
Rock, retórica, romance Legião de demônios urbanos! 
Fiz um topete em voga feito Elvis!
Saí da toca, vesti um blusão de couro azul!
Liguei a motoca e fui buscar meu brotinho de bambu!
Pensei que não ia dar tempo:
Pegar a sessão de cinema das cinco
Matinê às sete, sexo às dez. Coca depois!
N’outro dia que vem, sei lá qual
Tomar um sorvete na lanchonete do Mestre Joaquim,
Dar um rolê por aí! Não há nada mais pra mim!
Ah, lembro quando robei a Corcel 73…
Do meu tio Raul mais uma vez 
Louco na aventura oitentista 
Para esvaziar o epidídimo e cantarolar por aí…
Bati no poste. Não cheguei nem no segundo quarteirão.
Logo menos veio meu tio: “[…] pra cê vê a vida como é…
a gente cria um bicho desses, educa, dá do bom e do melhor
carinho, amor, comida, roupa lavada, mesada
e o rebelde, maldito, transviado, sai de casa assim
maldizendo a família! querendo ser cantor de rock!”

Caí na estrada tirana,
A juventude é um dom!
Garotas, sonhos, mil transas,
Como dá bandeira é bom!
Olhando a cidade grande
Cheia de Fúria e de Som!
Querendo ser uma estrela
De sexo, laser e neon!
Cidade grande é uma droga,
Mas o rock dá o tom!
Rock, rock, rock, rock, rock n’ roll
Rock, rock, rock, rock, rock n’ roll
Jimi Hendrix

“Ah, tudo é símbolo e analogia!
O vento que passa, a noite que esfria,
São outra coisa que a noite e o vento
Sombras de vida e de pensamento.
Portanto, dou-lhe este relógio,
Não para que você se lembre do tempo,
Mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando. 
E não gaste todo seu fôlego tentando conquistá-lo!
Qual é o preço de um homem? E eu pago quanto pra ser feliz?
A apatia é grande, mas a crise é geral. 
Crise deste país preste a ruir… Só tu podes nos salvar, ó
Beatriz!
Mil escrituras, sagradas, sacrossanto, santo de ouro de tolo!
O som e a fúria, a TV, o computador, o videogame, o quadrinho
Informática, cibernética, política, eletrônica, acústica,
Quântica, poesia, literatura, melodia rústica!
Grandes populações, revoluções! Revelações fagnerianas!
Que destino s.a, indústria de lixo limitada e a dar!
Mas
esses senhores não querem nada!
Não querem perder tempo
Com essa porcaria que se chama gente!
Eu não sou cachorro não
Pra viver assim tão humilhado!

São mil milhões de habitantes 
Deste parque industrial:
Negros, mulheres, menores 
Filhos da crise geral!
Iguais pela mesma bomba 
Que vai cair no quintal!
Ídolo e deus dos esgotos,
A musa urbana me fez.
Meu sucesso é saber disso 
E contar tudo pra vocês!
Num Rock, rock, rock, rock, rock n’ roll
Rock, rock, rock, rock, rock n’ roll
Rock, rock, rock n’ roll
Rock, rock, rock n’ roll
Rock, rock, rock n’ roll
Little Richard

É isso aí, rapaziada! É isso aí, gente fina! É isso aí, moçada suburbana
Talvez a gente pudesse dizer adeus de outro jeito…
Mas fazer o quê… Eu sou um antropófago urbano,
Um canibal delicado na selva da cidade. De ano em ano,
Mais dia menos dia… Eu como você. Hahahaha!
E você como eu! Ora, ora! Hahahaha!
Sempre houve um lugarzinho a mais para alguém
Debaixo dos meus lençóis… Hahaha!
Não disse se é na cama quentinha
Ou sob as águas dos freáticos.
(Em processo de decomposição!)
Tá tudo uma droga,
Mas o rock dá o tom!

Gabriel Albuquerque

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