Onde o galo canta

homem não mais canta conto
Os anos verdes são negros
Como era verde o meu
Vale de lágrimas… de lágrimas.
Os anos-ledo são medo
Como era medo o meu
Vale de lágrimas… de lágrimas.
À força eu falo: tudo bem
O pobre dorme na calçada
E dizem que é madrugada
E o sol já vem
O amigo que saiu pra ver a lua
Jaz anônimo na rua, foi fatal…
Na tarde que foi sempre minha amiga
E a lei dos homens nos obriga
A em casa ficar e ser normal…
Ô, meu amor, eu sei
Todo esse sangue não é nada
É a cor da madrugada contra a lei
O parque está tranquilo, mas deserto
Pois as pestes estão por perto
E nos desencanta!
Onde o galo canta,
Aí janta, é assim…
Pegar carona
nessa decadência,
É o nosso fim…
Como pôde acontecer?
Onde o galo canta, aí janta, é assim…
Hoje o galo está só
Amanhã vamos lá
A galopar num dó
Pra vê o galo cantar!
