Sou eu em carne e em osso

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Cubra-me com a sua boca
Portanto, tu, amor jovem
Envias-me à nuvem rouca
Cinza de cânticos, ela vem

Botas de sangue nas roupas de Lorca
A ouvir sempre a mesma história porca
Não importa: Ora esta! Não há motivo
Para ir à festa. Não sei rir à toa, sou vivo

E vivo tão somente a vida
Nada de Noblesse Oblige
Afinal, com vocês ela divide
A felicidade arremetida:

"E que diferença faria
Se em vez de continuar
Tomasse a melhor saída:
A de saltar, numa noite,
fora da ponte e da vida?
"

E se eu descobrisse 
Que o menor de todos
O mais admirável dos lodos
O mais pobre dos mendigos
O mais insolente dos amigos
O maior dos caluniadores
O inimigo causador das minhas dores
Fossem eu? Eu mesmo! Sim, eu mesmo!
Residem dentro de mim 
Embreagam-me de gim
Pedem-me esmola (a toda hora!)
Pedem-me esmola de minha finita bondade e benevolência (haja decência!)
Pedem-me amor ao inimigo, que, pasmem, sou eu mesmo. Em carne e em osso!

Just show...
These are the end days of our sad lives...
And what we shared? 
Can u back? I don't know.

Gabriel Albuquerque

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