Périplo por Beatriz

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Beatriz aparece para Virgílio no início de Inferno, em uma ilustração de Gustave Doré.

Na sombra trágica do pântano fatídico,
Vaguei perdido, com espírito anêmico,
Entre as figuras do inferno tão cáustico.

Meu ser, em pranto gélido, famélico,
Buscava luz numa súplica frenética,
Quando surgiu Beatriz, vulto angélico.

Com voz simbólica, presença magnética,
Ergueu-me da treva lúgubre e maléfica,
Guiando ao êxtase, à esfera poética.

Nas constelações, visão caleidoscópica,
Beatriz mostrou-me a senda filosófica,
Onde a verdade brilha, clara, unívoca.

Seu olhar límpido, expressão metódica,
Rompeu a névoa densa, melancólica,
Levando-me à glória fatídica, harmônica.

Lá, em paz plácida, visão idílica,
Contemplei ser tão etéreo, face enigmática,
Na graça perene de Beatriz, a única.

Subimos à esfera cósmica, dinâmica,
Onde os astros dançam, música atômica,
E o universo revela lógica rítmica.

Cada degrau, um prodígio analítico,
Desvendava arcanos do ser autêntico,
Num percurso sublime e hieroglífico.

O Empíreo abriu-se, majestoso e épico,
Mostrando a Rosa Mística e magnífica,
Onde os santos repousam, gozo métrico.

Ali, ante o trono celeste, apoteótico,
Vi a face da Divina e de luz vivífica,
E entendi o amor, cósmico, hipnótico.

Beatriz sorriu, numa visão profética,
Dissolvendo-se em luz cálida, etérea,
Deixando-me em êxtase, em alma poética.

Retornei à terra, em essência transmutada,
Para narrar aos homens a visão mística,
Da jornada celeste, enfim completada.

Homenagem à Beatriz. A única, a mística, a autêntica.

Gabriel Albuquerque

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