Beatriz por um triz

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Emma Sparre — Resting by the Easel ,1890

No meio da tropical Paris
Assim diz a bela Beatriz:
Que, de tanta cicatriz,
Aprendeu a ser feliz.
E que, de tanto ser aprendiz,
Tornou-se uma flor-de-lis.

E no meio da tropical Paris
Que, de tanto querer bis,
Vive hoje por um triz.
E que, de tanto ser atriz,
Aprendeu a ser infeliz.

E bem no meio de uma tropical Paris
Que, de tanto amor ao país,
Criou a mais funda raiz.
E que, ao querer tantos brasis,
Tem-se reduzida a vãos prazeres vis.

Que, de tanto em si passar verniz
Tornou-se, pois, uma obstetriz.
E a Bia que pariu tantos cerviz,
Para mamar do labor, ela quis.

E no fim de vida, todos serão julgados pelo mesmo bendito juiz, cumprindo seu duro dever de também amar Beatriz, tentar ser feliz, mamar do labor, e, é claro, viver sempre por um triz.

Lionello Balestrieri — Pittrice e Pianista (em retalho)
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Gabriel Albuquerque

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