Mais um poema qualquer a ela

Ai, ai, ai, só, ela vai
Adonai, ela sai
e não volta nunca mais…
Ó, quão branquinha porcelana tu és
Poderia eu, aos beijos, contar-te as costelas
Uma a uma, até os transparentes pés
Aquelas mãos, aquela íris aquarelas, aquelas…
Bendita seja tua vil repulsa
Que pulsa a mil
e me comove e me usa
Ah… Passo o dia mexendo em tuas peles e ais
Por entre dedos gozo de teu ventre
Recortando tua face, feito reles mortais
Você: pura, decente e adolescente
Mas é uma pena: esse canto sensual
não passa de uma ilusão do virtual
Figurinhas do aplicativo verde e banal
Só tenho olhos a ti, Querubim
Tu’alma é o combustível que alimenta a mim
E como todo dia é dia mau
gasto hoje o que me restara afinal
mas, pela manhã, ponho-me quebrantado ao teu gim
Ela é como aquela gente boa, honesta e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
E tem, no fim de cada prova, a sensação da missão cumprida
Ela acredita em Deus e em outras coisas invisíveis
Diz sempre não ao meus carinhos infalíveis
Pois é… Tendo a si mesmo, não há coisas impossíveis
Ela se completa e não precisa de ninguém
Tampouco do eu poético
Pois não me convém
Ser sincrético
(Para conciliar essa de ser teu maior fã)