Mais um poema qualquer a ela

pt
Roman Widow — Dante Gabriel Rossetti

Ai, ai, ai, só, ela vai
Adonai, ela sai
e não volta nunca mais…

Ó, quão branquinha porcelana tu és
Poderia eu, aos beijos, contar-te as costelas
Uma a uma, até os transparentes pés
Aquelas mãos, aquela íris aquarelas, aquelas…

Bendita seja tua vil repulsa
Que pulsa a mil
e me comove e me usa

Ah… Passo o dia mexendo em tuas peles e ais
Por entre dedos gozo de teu ventre 
Recortando tua face, feito reles mortais
Você: pura, decente e adolescente

Mas é uma pena: esse canto sensual
não passa de uma ilusão do virtual
Figurinhas do aplicativo verde e banal

Só tenho olhos a ti, Querubim
Tu’alma é o combustível que alimenta a mim

E como todo dia é dia mau
gasto hoje o que me restara afinal
mas, pela manhã, ponho-me quebrantado ao teu gim

Ela é como aquela gente boa, honesta e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
E tem, no fim de cada prova, a sensação da missão cumprida

Ela acredita em Deus e em outras coisas invisíveis
Diz sempre não ao meus carinhos infalíveis
Pois é… Tendo a si mesmo, não há coisas impossíveis

Ela se completa e não precisa de ninguém
Tampouco do eu poético
Pois não me convém
Ser sincrético

(Para conciliar essa de ser teu maior fã)

Gabriel Albuquerque

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