Duro como concreto: sensual e correto

Contemplo o rio que corre parado.
Com tempo o rio se enche de perturbação,
Tal qual meu coração alado…
Que caminha sem direção!
Lado a lado, tanto faz qual,
Mas não se enganes: tudo muda!
Menos minha fala rouca e felpuda!
Ela é sempre sutil e sensual.
Não confunda as coisas, meu amor
Toda poema meu é vulgar…
Eu é que sou um cara difícil de domesticar.
Ó, senhora, todo vigor se converte em furor…
e, às vezes, sabor!
Quero fazer com você
o que a primavera faz com a cerejeira,
seja na roseira ou na videira…
vede o pé ypê! Deleitar-me-ei sobre tua pele
ao amanhecer…
Poema concreto, conceito correto
Me deleitas e me deixas ereto
Íntegro, com postura, a mil
Neste cantar de amigo, bestial e vil.
Por que fugir se enfim me queres?
Só me feriu como me feres
A mais civilizada das mulheres!
Senhora dos computadores que sois
Donas dos homens e das setas
Por que já não amais vossos poetas?
Senhora da ginasta que sois
Donas dos homens e das setas
Por que já não amais vossos poetas?
Beatriz, dona de minh'alma, amada demais
Tão desejada por mim, tu és
Por ti bato palma e outras coisas mais
Quebrante meu ser, para a ti levar os cafunés
Respirar teu ar, sussurrar teu sussurro, pingar teu suor
Como no ato de te amar, tão natural quanto andar
E navegar sobre tua púbis angelical, como um capitão-mor
Esquecer de tudo, dans les beaux pays de lá bás
Be! A atriz virgem, dama do meu cabaré, quero gozar!
Cada noche en
tus pechos dormidos, dormir…
Dar vez à voz dos sentidos!
Um solene e sereno sono, sonho de núpcias a proclamar!
Passando por cada pedaço teu, sentindo-te devagar!