Grande São Paulo
A grande máquina

Máquina, máquina, máquina, máquina, maquína, ná
Maquína, maquína, maquinamá, maquína, maquína, ná
Maquinanamá, Máquina, máquina, máquina, ná
Máquina, máquina, maquinamá,maquinamá, namamá, má
Mamá, mamá, mama, mama, mamamá, má
Máquina, maquinamá, maquína, lala, lala, lá
Lá, lá, lá, lá, lalalá, lalá, lá e lá
Um, hmmmmm, dois, sois, três, maquína outra vez
Pare com esse murmuro, gritou o patrão
Volte à máquina, exclamou sem razão
Ê
me
amá
emeamá
quiquianá
nana, e quiqui
eneaná, eneaná
na na na na na na ná
Êmeamá
Nameamá
Enemeama, amamá
Amapá, emeamá, naná
quiquianá, quiqui e quiqui
nana, e quiqui, naná e enemeamá
eneaná, eneaná, e quiqui e meamá, má má
na na na na na na ná,na na na na na enaná e meamá
Máquina, máquina
Máquina, máquina
Máquina, máquina
Maquinamá
Maquína
Maquína
Na na na ná
na na na na ná
na na na má…
na máquina…
E a cada sílaba
vai ficando mais trágico
Máquina, máquina
Maquína, maquína
Maquinaná, naná
na na na na ná
E entrou na máquina
E ficou preso na máquina
E despedaçou-se na máquina
E flutuou no ar como se fosse máquina
E se acabou no chão feito um pacote maquiná
E morreu na contramão, atrapalhando todos os maquinamás
Mas tudo voltou, voltou como era, afinal
Nada aconteceu, nada acontece pro mal
No final, só o som de todo o maquinal
Meio pelo qual, da minha labuta, perco meu sal
A maldita da exploração laboral
Nada aconteceu, nada acontece na Grande São Paulo de 1974, animal.
Pare de ler! Pare de ler! Pare de ler agora! Volte ao trabalho, volte à máquina! Pra que estás a ler isso? Deves trabalhar, deves maquinar! Volte, maquinamá, para a máquina! É uma ordem, maquinamá!
Eu quem mando no Amapá
E me amar, nem a Naná
Nem a maquinaná
Só a máquina, que maquína à maquiná na potência máxima!
Maquinaná, lá lá lá. Triste fim.