Beatriz não cabe num poema

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Dante e Beatrice Portinari

Amor (e anarquia)
Beatriz (e folia)
Como silhueta geométrica
Dádiva pura duma estética
Elétrica (da poesia e da Bahia)

(Floris vós ao gozar: sê tu feliz, Beatriz)

Gabriel, como todo poema concreto
Hermético, como as letras do alfabeto
(Incide numa mulher chamada Beatriz)

Jegues a dominar: um claro projeto 
Lado fiel, como lugar comum secreto
Medo do sabiá: Gabriel não é o certo
(Minha (a)ventura, minha bem — aventurança, minha mãe, minha irmã, minha mulher, minha criança, ó minha dama)
Noites de mel: a nudez de minha atriz

(Ópios e alucinógenos para Beatriz)

Poema aqui não se cria nem se nasce Beatriz (nem atriz)
Que nem só de água de choro que se rega as lágrimas dela
Raiz de minh’alma e do meu cantar, matriz da contradança

Seu nome é pontinho pontinho Beatriz 
Topa tudo por anarquia?
Utopia, folia, poesia, Bahia
Vá, Beatriz, põe meu coração a retalho

W, um W qualquer, o X do meu problema, Y de Yemanjá e Zé Ramalho!

(Falta alfabeto para ela. Beatriz não cabe num poema!)

Gabriel Albuquerque

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