Cobrimento

Fincado à miserinha desses mangues
Na rua do labor que chamo de minha
De repente bateu um frio por dentro
Tremia de fome e rangia os dentes
Com os caranguejos olhando pra mim
Não vê que me lembrei que lá no Sul, meu Deus!
Bem perto de mim
No roseiral de sorte que a chuva trouxe
Um homem pálido forte de cabelos dourados
Depois de fazer ouro com o suor alheio no dia,
Logo se deitou na sua cama quente.
Está dormindo, mas eu não posso.
Será que eu sou brasileiro que nem ele?
Referência intertextual ao poema “Descobrimento” de Mário de Andrade.