Beatriz: Misteriosa meretriz

Quem és, Beatriz?
Serás uma felatriz
Que, cavalgando nuvens,
Satisfaz um ideal aprendiz?
Quem és, Beatriz?
Serás um cavalo que vibra uníssono com o éter
Ao te arrojares nos braços dos que lhe devoram?
Quem és, Beatriz?
Serás uma meretriz
Que, ao caíres docemente,
És amparada pelas asas de um demônio?
Quem és tu, Beatriz?
Serás tu uma cicatriz
Aberta que pulula em teu corpo,
Ao enfrentares um turbilhão de complexos
Entrecruzando tua quebrantada inocência?
Quem és, Beatriz?
Ao deixares mil mãos te tocarem
Ferindo-te na incógnita vazia e silenciosa
Do teu mais estéril ser.
Quem és tu, Beatriz?
Serás uma deusa ou um demônio?
Quem és, de onde vieste, para onde vais?
Com que sonhas, de que vives?
Com o que brincas, como se divertes?
És tu uma deusa ao sentir os órgãos acariciantes
Roçando-te os peitos plácidos e viris,
Encabeçando no mais fundo do teu raso ser.
Sob o garbo juvenil, de cujo rosto porcelana
Aproveitam-se e deleitam-se os urubus que te rodeiam.
Ou serás tu, ó beata Beatriz, um demônio ao pensar,
Lá do pequeno quarto vermelho, sobre o qual e para o qual nasceste acesa,
Vislumbrando um mundo gigante aos teus pés tão pequenos de princesa.
Sob o garbo senil e servil, cujos grandes lábios carnudos
Não podem sequer gritar do que teu coração é cheio.
Que estranho ventre gerou tão etéreo ser?
Complexa gênese é a sua,
Descende de tua companheira
Para cobrir-te a pele nua;
Nasceste de um demônio,
Confabulam os que gozam da carne tua;
Na verdade, este que vos escreve diz:
Beatriz, és a simbiose perfeita
De Deus e Diabo,
De joio e café,
De anjos e demônios
De menina e mulher.
És Beatriz! És o que quiseres para os teus,
És um demônio encarnado em uma meretriz,
És uma pura mulher com o Espírito de Deus!


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