Beatriz a galopar na beira-mar

Beatriz anda no açoite como um humano
E se embrenha na sombra do mundo de sol
A senhora ideal que pulula por um girassol
Tendo cores cintilantes de teor mundano,
Ri de um olho que brilha sempre soberano,
Imaginando uma estante que boia à beira-mar
Zelo, muito além do zelo de se cuidar
Findando a tarde e me lançando no fundo
E abaixo do mar e da crista do céu imundo
A que começa sempre pela beira do mar
Traz-te por um triz de segundo à beira-mar
Ói, por dentro das casas há águas e sonhos
E coisas que sonham o mundo dos vivos
Há arcanjos nocivos, demônios medonhos
Jardins alegres, ares circundantes tristonhos
Que fazem a mulher se embriagar
Há aquelas que lutam para se salvar
Daqueles que traçam no mar revoltoso
E os surdos que gritam com tom assombroso
As Beatrizes que se afogam na beira do mar
E até que elas sintam a morte chegando
Eu sigo rimando, gozando e sendo devasso
Além de seu cabelo que desembaraço
Conjuro as juras que vão me matando
Por cujos diabos vem arrastando
De sua coroa molhada que já se pode secar
Ah, por Beatriz eu quero ao céu voar!
Sair do inferno de tez avermelhada e poluída
A cantarolar um galope, abrindo a ferida
Cuja cicatriz da Beatriz só cicatriza
Bem lá na beira do mar. Só na beira do mar!
É nos detalhes a retalho
Que Beatriz e Ramalho
Afundam na beira do mar
“Fechem suas bocas
Para nunca mais voltar!”
Na beira do mar!