Beatriz: A beata ginasta

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Amo o que faço

Sem sangue nas veias
Com nervos de aço

Beata ginasta, acrobata e devasta
Mulher casta, afasta a entusiasta
Que mora em mim, e enfim: basta!

Ai anjos… se houvessem anjos…
Claro, seriam como tu
tudo é norte, tudo é sul
indescritivelmente nu

Ai, menino bonito, cujo coração é duro
Escute com todos, jovem prematuro:
"Talvez, se tu tivesses uma bela dama
como eu, um amor puro, fizesses fama
sobre a cama, como autores do futuro!"

Ai, mãezinha, cuja proteção é-me de montão
Tudo tão regradinho, como soldados no hino…
Por isso, enquanto me tiras por demente, dizendo sempre, serena, só "não"… (eu…)
Eu canto, eu danço, eu fumo, eu bebo, eu como, eu gozo com esse menino
E se vocês vieram com essa: que sou ingênua, adolescente louca;
Digo: eu concordo, eu pinto, eu bordo, eu vivo muito e ainda acho pouca
Por isso é sempre novo afirmar: não faça a guerra, faça o amor…
E viva a vida, suas nuances e seus instintos em poder da flor!

Sou bailarina, bailo a adrenalina
Que jaz(z) na minha cruel toxina…
Deixa de lá, pra lá do sertão
E ser tão humilhado é sinal
Que não é o diabo que é mau
Pois o que amassa o meu pão
É a tal da maldita exploração laboral

Mas agradeço ao Deus decente
por me dar um corpo discente
e, civilizada e a mente,
gosta, cheira, toca, ouve e vê.
E, com amor e anarquia,
o que me dá alegria
goza que enrosca e arrepia
roquerolando em você
Be-bopeando em você
Calipsando em você
Merenguendo em você
Bluesbusando em você
Um boogie-woogie em você
Tango um bolero em você
Chorando em você
Jaz(z)endo em você.

Gabriel Albuquerque

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