Ode à América Latina

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Las venas abiertas de Latinoamerica

María de Jesus Patricio Martínez: porta-voz do Conselho Indígena de Governo Mexicano e ativista dos direitos humanos. Créditos: VI Jornada de Agraecologia da Teia dos Povos da Bahia: decolonialidade, descolonização e a tecitura da aliança entre os povos da América Latina — Carta Maior

El condor que pasa sobre los Andes
Y abre sus alas sobre nosotros.
Na fúria e no som das cidades grandes,
Yo quiero abrir la mi voz aos outros!

Ah, que delícia, Belchior!
Dessa vida que nos deram, (e nos ensinam)
Temos tudo do ruim e do pior!

Porque primeiro foi meu pai;
Segundo, meu irmão.
Terceiro? Terceiro agora é ele, 
Terceiro agora é ele,
De geração, em geração, em geração…

Deram-te, então, o pouco grão,
Que fugiu do peito a viração.
Ah, tanta coisa despiste em vida…
Que fugiu do teu peito a própria brisa…

E o terceiro? O terceiro mundo embanana, embalança, no reggae e no samba, oh lelê, oh lalá, tropeçando de banana em banana, oh lelê, oh lalá!

(Oh, meu Deus! Mas graças a Deus temos nossa casinha pra morar, com goteirinhas, ratos e outras coisas mais…)
Vinho, pão, circo, gins e tais!

Ah, o Brasil sentado na esquina do mapa, Guiana é um tapa,
Olividado de los Reyes del mundo en un siglo de luce!
Se miras no Atlântico, ponhas na conta do Papa!
(Servos do capeta, do capataz e do mal!)

Índios, pobres e jovens no parque industrial da capital.
Pretos, brancos, mulheres, menores, filhos da crise geral,
Todos iguais pela mesma bomba que vai cair no quintal!
Todos iguais pela mesma cegueira do mesmo vendaval!

Quito minhas muitas dívidas
Em busca de La Paz!
Bons ares que a Bia traz,
Para lá de gentinhas tímidas,
Lá perto de Brasília e Goiás!

(Oh, meu Deus! Mas graças a Deus temos saúde, afinal tem algo que vale mais?)
Sim: vinho, pão, circo, gins e tais!

Suando, soando uma salsa Caymmi, e sem sair do bem-bom!
Um rum, bumbuns, um hum-hum com Valdir Calmon.
Haiti, “ai de mim”, Suriname, “ai de ti!” (Uma lambada a l’amour)
Bota pra fora, apartheid! (África do Sul)

Ô que calor do Norte! Ô que brisa do Rio! Sinta o odor carnal!
Mas, olhe, quem vier afim de mim
Se ligue em meu canal:
De reggae, rumba, em Cuba e Brasil;
E em fim, pela América Central!

E quem, ainda sim, insistir em mim
Saiba que, quando a Guerra acabar,
Estarei com mais de mil
Explodindo num trem militar!

Cante comigo de novo o refrão!

E quem, ainda sim, insistir em mim
Saiba que, quando a Guerra acabar,
Estarei com mais de mil
Explodindo num trem militar!

E quem vier afim de mim,
Quando a Guerra acabar,
Estarei com mais de mil
Num trem militar!
Gabriel Albuquerque

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