Bicho

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Nós somos os piores bichos!

Cuidado, homem, bicho
Cuidar do homem bicho
Cuidado, homem bicho

Decretemos o congresso
Internacional do medo 
De um triste fim tão cedo
Ao encontro do regresso

Ah, os bichinhos não veem
Tadinhos, não podem ouvir
Cegos de tudo que ainda vi
Ao delírio vem, não pro bem

Pois que bicho petulante
Acha que pode ir adiante
Mas sequer sai do habitat
O covil podre deste lugar

Há veneno em toda terra
Mais de mil fumaças pelo ar
Não há pássaro sequer bicho
E um monte de líquido lixo 
Tornou-se, pois, a água do mar

Vamos falar dos bichos de terno
Dos bichos locais, dos banais
Dos que temem o inferno
E dos bichos sociais

Dos que culpam a sociedade
E se esquecem que são ela
Os que assistem à novela
E todo dia perdem a virgindade

Ah, os bichos não conseguem ver
Fora da TV, a beldade que é o viver

Deveras bela sê-la, a natureza
Da qual jorra um brilho, tesouro
E com rubis e rosas, neve e ouro
Dá-se a sua angelical beleza

Que os bichos comem na avareza
Põe-se na boca os rubis e a pureza
Até engasgar-se com o próprio louro
Lauras ao metal loiro, a quem mouro
E no peito o verde: que a alma tenho acesa

Mas hoje sei que quem me deu a ideia
Está em casa contando seu vil metal
Extraído das jazidas do puro e profundo mal
E os engolem, mastigam-nos e causam-lhe diarréia! (Com muito prazer, pode crê!)

Ah, bicho burro esse aí
Que difere do resto 
Da natureza a porvir
E dele eu detesto

Só quem não tem nenhuma simpatia pela raça humana pode insistir
Num desrespeito tão flagrante ao direito de existir

Talvez eles não saibam, mas quando estão lá
A copular, na cama, são autores do futuro
Que com ou sem fama, recairá sob nós o mar
Cobrando a dívida, Obaluaê
Que ainda precisamos aprender: o amor puro
Como autores do futuro, como autores do futuro

Respeitemos a natureza, preservemos.

20/08/2019

Gabriel Albuquerque

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